Funai faz contato com índios isolados no Amazonas

Foto: Isolados do Coari – Bruno Jorge

05/04/2019 – 08:35
Povo da etnia Korubo vive no extremo oeste do Amazonas

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) fez contato com índios isolados da etnia Korubo na terra do Vale do Jari, no extremo oeste do Amazonas. A expedição foi realizada pela preocupação com o risco de conflitos entre esse povo e os Matís, que também ocupam a região, às margens do Rio Coari.

Os dois povos protagonizaram um conflito na região em 2014, com mortes nos dois lados. Desde então, representantes Matís solicitam à Funai providências para o estabelecimento do contato. A tensão permaneceu e aumentou recentemente com uma reaproximação dos Korubo isolado da área ocupada pelos Matís e com a possibilidade de uma ação promovida por estes.

“Os Korubo se distanciaram, queimaram suas malocas. Mas voltaram a aparecer, visitando as roças Matís e pegando alimentos e ferramentas. Ano passado quase teve um contato dos Matís”, disse o coordenador de Índios Isolados e e Recém Contatados da Funai, Bruno da Cunha Arújo.

Expedição
A realização de uma expedição começou a ser discutida anos atrás. Com o receio do aumento dos risos de novos conflitos, a Funai decidiu realizá-la. A equipe começou as buscas pelos índios no início de março. Alguns Korubo já contatados auxiliaram, bem como indígenas de outras etnias. Segundo a Funai, os Korubo integraram o grupo motivados pelo desejo de encontrar parentes e amigos.

No último dia 19, foram encontrados alguns Korubo isolados. Outros representantes da etnia apareceram ao longo dos dias seguintes, totalizando 34 índios. Segundo Bruno da Cunha Araújo, coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, o diálogo foi estabelecido entre os encontrados e os indígenas integrantes da expedição.

Uma equipe de 28 pessoas continua no local para monitorar o caso, dar apoio no atendimento à saúde , como vacinação, e buscar uma interlocução para resolver o conflito com os Matís. Além dos integrantes da expedição, há também uma unidade da Funai na região, denominada Frente de Proteção Ambiental do Vale do Javari.

Segundo o coordenador da Funai, eles pediram aos Korubo isolados que se distanciassem, o que teria tido uma resposta preliminar positiva. Mas o grande desafio, de acordo com o representante da instituição, é encontrar formas para que a etnia e os Matís possam conviver e ocupar a área sem riscos de conflitos.

Interlocução
“Estamos estabelecendo interlocução. Eles falam que vão descer o rio cerca de 10 quilômetros, 15 quilômetros. Mas o que resolve é o diálogo, e não é a distância em si. O nosso papel é tentar facilitar esse diálogo”, explica Bruno da Cunha Araújo. Segundo ele, este processo pode durar meses, ou até mais de um ano.

No domingo (07), o grupo será substituído por uma outra equipe, que já está na região se preparando para assumir a expedição. Eles permanecerão lá por 40 dias. Ao longo desse período, manterão o monitoramento e os esforços de interlocução com as duas etnias, bem como o atendimento de saúde.

Araújo destacou que um ponto importante para que esse trabalho continue sendo feito é garantir estrutura para a unidade da Funai no local. São necessários recursos para viabilizar custos como combustível para o deslocamento dos técnicos, comida para dar suporte às equipes e verba para contratar indígenas experientes.

fonte: Agência Brasil


Funai realiza Expedição para proteção de indígenas Korubo no Vale do Javari

No início de março, a Fundação Nacional do Índio promoveu a Expedição para Proteção e Monitoramento da Situação de Indígenas Isolados Korubo do rio Coari, no Amazonas. Uma ação interagências, que contou com a participação direta da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde – SESAI e a cooperação do Exército Brasileiro, da Polícia Federal e da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, através da Polícia Militar, além do acompanhamento do Ministério Público.

O principal objetivo da expedição era o de proteger a integridade física dos indígenas isolados Korubo do rio Coari e do povo Matis. Primeiro, promovendo a dissolução de uma tensão entre os dois grupos. Os Korubo isolados do Coari, após o conflito de 2014 com o Matis, voltaram a se deslocar pelas proximidades das aldeias Matis no rio Branco, local que habitam desde 2012, trazendo preocupação pela possibilidade de mais um contato conflituoso. A relação complexa entre esses dois povos pode ser conferida nas matérias que a Funai publicou em setembro de 2014, novembro de 2015 e em março de 2019.

A atividade também atendeu a demanda do grupo Korubo, contatado pelos Matis em 2015, de rever seus familiares que permaneceram isolados sem qualquer sinal de que estavam bem e sob risco iminente. Esse grupo contatado em 2015 vive atualmente com outros Korubo de contato em 1996 e 2014, em quatro aldeias no rio Ituí, próximo à Base de Proteção da Funai.

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