Famílias indígenas separadas por Itaipu

foto: Angelo Leithold / wikimedia

26/04/2019
Hidrelétrica símbolo do regime militar desalojou indígenas e separou parentes no oeste do Paraná na década de 1960, em história nunca oficializada. Pela primeira vez, relatório do Ministério Público Federal confirma abusos e mostra como violações contra os indígenas perpetuam nos dias de hoje

A imagem da capa de um livro, ilustrado com folhagens em tons verdes e terrosos, chegou cedo ao Whatsapp para os contatos do cacique Celso Ocoy, no segundo dia do Acampamento Terra Livre, que reuniu 4.000 indígenas em Brasília. Aquelas páginas contavam a real história de uma luta negligenciada por décadas pelo Estado brasileiro e pela hidrelétrica binacional Itaipu, um dos projetos mais simbólicos da ditadura militar instaurada em 1964.

Os guarani do oeste do Paraná, na fronteira com o Paraguai, foram expulsos durante a ditadura para que a usina pudesse ser construída. Terras da comunidade e áreas consideradas sagradas, como a cachoeira de Sete Quedas e cemitérios, foram alagadas para a instalação da megaobra. “Essa é uma perda que os indígenas nunca superaram”, afirma Osmarina de Oliveira, missionária do Cimi Regional-Sul.

Ocoy diz que anciãos recordam quando parentes eram retirados de suas terras e colocados em caminhões rumo ao Paraguai. Além de serem desalojados, mães e filhos foram separados – violações que são, pela primeira vez em décadas, reconhecidas em documento de um órgão público. “Itaipu destruiu não apenas moradias, mas também redes de parentesco, modos de produção e a própria base dos modos de vida e de significação dos guarani ao avançar sobre seus lugares históricos e sagrados”, diz o documento, confirmando o relato dos indígenas mais velhos. “Este relatório é a comprovação de todo o nosso sofrimento e da verdadeira história dos Guarani. É a nossa primeira vitória”, diz o cacique Ocoy.

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