Assassinato de quilombola, intimidações e manobras políticas marcam expansão da soja no Pará

Repórter Brasil: O antropólogo Edward Luz (de camisa azul) foi contratado pelo sindicato rural de Santarém para questionar a demarcação de terras indígenas e quilombolas (Foto: Reprodução Facebook)

27/03/2019
Mudança de última de hora libera construção de porto em Santarém enquanto comunidades que contestam a obra sofrem ameaças. Quilombola foi morto com chave de fenda e comissão da OEA sofreu perseguição ao visitar o local

“Agora que Bolsonaro ganhou quero ver se ainda vai ter benefício para pretos”. A frase, gritada da janela de uma caminhonete para uma liderança quilombola, reflete o clima tenso que domina o Planalto Santareno, no Pará. Às margens do rio Amazonas, a região abriga pelo menos dez comunidades indígenas e quilombolas e um crescente número de fazendeiros e produtores de soja que se enfrentam em uma disputa por territórios. A região vem ganhando o noticiário nos últimos meses, mas não por causa dos “benefícios” esbravejados pelo dono da caminhonete.

Em setembro, um quilombola foi brutalmente assassinado a golpes de chave de fenda. Em novembro,  membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) sentiram-se intimidados ao visitar a comunidade indígena de Açaizal. Em dezembro, a Câmara de Vereadores de Santarém votou o plano diretor do município, com manobras de última hora, abrindo caminho para a construção de um controverso porto na cidade que vai ampliar o escoamento da soja, mas que gera impactos para as comunidades quilombolas e indígenas do local.

Os episódios, que parecem casos isolados, têm um elo em comum: fazendeiros e produtores de soja, reunidos em torno do Sindicato Rural de Santarém (Sirsan) e fortalecidos no último ano não apenas pela vitória de Jair Bolsonaro – contrário à demarcação de terras indígenas e quilombolas –, mas também pela contratação do polêmico antropólogo Edward Luz, conhecido como “antropólogo dos ruralistas” e recentemente cotado para assumir o segundo cargo mais importante da Funai.

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